Hoje eu descobri algo sobre mim. Na verdade, a palavra descobri soa muito falsa quando penso em todos os anos de minha vida nos quais passei sentado ouvindo os melhores professores que eu podia encontrar.
Posso começar de novo. Hoje eu redescobri algo que me faltava há muito tempo. A vontade de entender narrativas. A vontade de interpretá-las. A vontade de aprender os padrões até que tudo o que eu veja e leia sejam familiares, e eu consiga descobrir e redescobrir algo novo buscando cada vez mais fundo.
Às vezes penso como passei 21 ou 22 anos de minha vida sendo tragado pela falta de vontade. Eu não vivi 22 anos. Eu sobrevivi. Clóvis também tem uma história sobre isso. Felizmente, a dele começa aos 11 ou 13 anos, não estou certo. Bom, a minha demorou um pouco mais, mas fico feliz por ela ao menos ter começado.
As narrativas são a ciência que mais me encanta. Compreendo que todas as coisas que mais me deixam feliz são aquelas com uma história bem contada. Seja por magia, seja por mistério, seja pela eroticidade ou até mesmo pela maneira rebuscada de se criar um universo.
Um grande mágico é aquele que sabe contar uma história, que sabe envolver durante seu truque. Um bom livro sempre nos prende, tanto pela qualidade e estilo de escrita do autor, quanto pela originalidade da história que será contada. Música sem uma ótima narrativa de harmonia, melodia, letra e álbum também é música, mas sentimos falta do tempero que é a amarração entre todos esses itens.
Hoje eu lembrei que tudo o que estudei não foi em vão, e que mais do que nunca consigo aplicar todo o meu conhecimento em todo o tipo de narrativa com o qual me deparo, sendo escrita ou visual. É bom ainda sentir a inspiração aparecendo nas madrugadas, quando o coração aperta e o braço parece pedir pelo teclado. Apenas não posso esquecer jamais do escritor do jogo do anjo, pois ele me mostrou que a inspiração não é nada quando nossos dedos não sangram.
Hoje eu voltei a viver.